• Publicado em 14.09.2014
  • Por Rômulo Alves

CAVALEIROS DO ZODÍACO: A LENDA DO SANTUÁRIO E O DEUS EX MACHINA [crítica]

Nós assistimos Cavaleiros do Zodíaco e agora daremos as cartaz.

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Caneca Mocha com chaveiro de biscoito

Como você deve saber, nessa última semana estreou o novo filme do Cavaleiros do Zodíaco: A lenda do Santuário, filme assinado por Masami Kurumada, criador da série. Este é um dos lançamentos mais aguardados para os fãs da franquia e eu me incluo nessa, tendo acompanhado a série quando começou a ser exibida pela Rede Manchete na década de 1990. O filme agora está em alta e diversas criticas surgiram, são diferentes visões positivas e negativas, se você já assistiu ao filme, talvez deva ter alguma opinião formada ou ainda está meio confuso, como eu estava, quando tinha acabado de sair da sala de cinema querendo entender o porque essa sensação de, “tinha tudo para ser melhor”, então onde foi que o filme errou?

ATENÇÃO: A partir daqui eu destaquei alguns pontos e coloquei o minimo de spoilers para não estragar o filme para quem não viu.

Uma nova história para Cavaleiros do Zodíaco

Bom, antes uma coisa que devemos ter em mente é que esse é um reboot, por isso mesmo uma “recontagem” da estória. Esse é o ponto em que muitos ficaram xilicando e dizendo que o filme é menos Cavaleiros do Zodíaco por não ser fiel, acho que pensar dessa forma é tolice porque o roteiro serializado não serve para um longa-metragem, adaptações devem ser feitas e cai entre nós, ir no cinema para ver a mesma coisa, sem mudanças é melhor ficar em casa e assistir a série clássica. Outro detalhe, é que é preciso atualizar a linguagem, já que esse filme é feito para uma nova geração, por mais que nós, fãs antigos, estejamos empolgados e tudo mais, o objetivo de toda produção atual é, além de entreter, ganhar dinheiro com o merchandising da marca para jogos, lancheiras, shampoo, mochilas e principalmente, brinquedos. Então por mais que você venha a consumir um desses produtos, me diga, para qual publico é direcionado tudo isso, mesmo?

CDZ - Saori - lenda do Santuário - Capacete - Japan Zone

Para começarmos, devemos analisar comparativamente os elementos que fizeram Cavaleiros ser algo diferente e único para toda uma geração, o que podemos destacar são golpes especiais, lutas marcantes, armaduras e o ponto crucial para tudo isso funcionar, a amizade, e é dai que vou partir para a minha crítica sobre o filme, acompanhem:

Amigos para sempre

O tema da amizade, algo que era forte no anime do Cavaleiros do Zodíaco onde você acaba “comprando” a motivação dos personagens e entendendo a jornada deles para salvar a deusa Athena, você os acompanha por um longo tempo e acaba compreendendo seus laços e como isso se tornou algo forte e especial. Se lembrarmos do começo da série clássica, os cavaleiros ficaram separados por anos, e quando voltam a se encontrar, cada um deles já tem um passado e uma história o que os fazem se desentender e se respeitarem, isso nos leva uma característica universal de todo bom roteiro: o conflito.

A lenda do Santuário - 12 - Japan Zone

Não estou falando das porradas, mas sim da relação humana, voltando para o anime de 1980, é só lembrar que no começo Seiya não está nem aí com nada e tem uma mágoa da Saori, que quando criança, era uma escrota mimada que abusava das crianças órfãs da Fundação Kido, Isso só muda depois de diversas batalhas quando eles criam afeto um pelo outro, e também tinha a relação de Ikki com Shun, algo que era tenso na série, com ele sendo o personagem enigmático com momentos de amor e ódio pelo irmão caçula e os outros, mas sempre que era preciso ele se envolvia e ajudava na treta. Mas agora, vamos para o filme, apesar dele ser curto não existe motivo algum para não desenvolverem a amizade deles, logo no começo, os cincos já são amigos e parece que sempre mantiveram contato, esse não é o problema, acho que para encurtar essa enrolação e focar na trama é valido sacrificar essas tensões dos personagens e mostrarem que já são bem resolvidos, mas porque não um flashback ou apenas um diálogo para o espectador entender o porquê deles serem tão unidos e se sacrificarem uns pelo outros, pense bem, o filme tem que sobreviver sem o anime, quando você faz um reboot de uma história, você a está reescrevendo e não pode considerar a original para ser o background dos personagens, a pessoa que assiste o filme sem ter visto nada de Cavaleiros não tem a mínima ideia do porquê eles serem tão unidos. A ideia de uma releitura é justamente apresentar todos os elementos que compõem uma história de uma nova forma, se você está pensando que não dava tempo de explicarem a relação dos personagens, é só lembrar que no início, toda a mitologia de Cavaleiros é apresentada em um diálogo simples e direto entre o mordomo puxa-saco Tatsumi e Saori, ele fala sobre o porquê das armaduras, do cosmo e dos protetores de Athena não usarem armas, isso é simples e funciona.

CDZ A lenda do Santuário - Japan Zone

Design futurista

Uma questão que não vou perder muito tempo é nas Armaduras High Tech, é a parte que mais me surpreendeu e não vejo realmente problema nesse novo design e conceito para elas, como por exemplo a ideia da caixa ser a própria armadura é genial, afinal tem que se evoluir a parada e agora podemos dizer que elas realmente protegem de verdade, tendo até mascara, mas o que eu fiquei confuso é se realmente são armaduras tecnológicas ao estilo BT´X ou não, é verdade que o filme pode sim deixar isso aberto para interpretações, mas vendo como todo o novo universo do santuário parece ser uma mistura de fantasia com tecnologia, pessoalmente não consigo chegar a conclusão nenhuma sobre isso.

Porrada!

As batalhas tiveram breves momentos excelentes, mas a maior parte deixou muito a desejar, sei que o filme é curto e são muitos personagens, afinal de contas são 12 cavaleiros de ouro, mas pelo menos podiam ter desenvolvido melhor a batalha final, não estou falando do visual dos golpes que eram bem bacanas a propósito, mas as lutas não tiveram impacto algum e não me deixaram em nenhum momento tenso e torcendo pelos santos de bronze, esse é um anime de lutas, oras. Então a única coisa que eu realmente esperava eram batalhas épicas, um exemplo disso é quando Ikki de Fênix aparece na casa de Sagitário quando Seiya e Shun estão levando um coro de Shura de Capricórnio e Miro de Escorpião, acompanhe essa sequência de eventos: Ikki chega com todo o seu estilo se mostrando fodão e encarando os cavaleiros de ouro, chama Shura para a porrada, mas a cena corta para Seiya apanhando de novo, quando a câmera volta para os dois o Fênix está caindo no chão, sério? É isso mesmo? Outra coisa que me deixou desgraçado da cabeça é que o Cavaleiro de Peixes já era um personagem fraquíssimo no anime, e no filme é pior ainda porquê ele só/ aparece para morrer da forma mais idiota, apenas para mostrar o quão forte está o vilão Saga de Gêmeos.

Cavaleiros do Zodíaco -  A lenda do Santuário - Saori - Japan Zone

Sabe que me chateia de verdade em um roteiro mal escrito?  É quando que para a história funcionar, o roteirista precisa utilizar de artimanhas manjadas, como o Deus ex Machina, para quem não está familiarizado com o termo, ele serve para nomear uma solução para um problema dentro da história como, por exemplo, por um passe de mágica aparece uma espada milagrosa que destrói o monstro, em “A lenda do Santuário”, isso é usado para colocar TODOS os cavaleiros de ouro lutando contra monólitos gigantes whatever que apareceram do nada enquanto Seiya luta SOZINHO contra o Saga de Gêmeos, que está com todo o poder que sugou de Atena. Não faz sentido eles ignorarem a ameaça do poderosíssimo vilão com o argumento de que vão salvar o que restou do santuário, sendo que o próprio Saga vai destruir tudo se vence-los. Para não estragar mais detalhes, o filme, para quem ainda vai assistir; só digo que, na história teve de tudo, desde a união de armaduras e um robô gigante no final, e olha que eu abstrai essas loucuras na hora de avaliar o filme.

A lenda do Santuário - Capacete - Japan Zone

A lenda termina

Para concluir, “A lenda do Santuário” começa bem porquê você fica acreditando que vão conseguir amarrar todas as questões e resolver tudo até o final, mas chega no meio do filme, mais precisamente na casa de Touro, tudo se torna uma corrida de referências ao anime e só. A parte que eu mais gostei é a que provavelmente muitos fãs vão me xingar, a performance do Máscara da Morte de Câncer, com um visual aparentemente inspirado em Jack Sparrow, cantando uma música a lá Tim Burton. Achei muito divertido.

Uma das coisa que gostei, foi da dublagem pelo simples fato de trazerem de volta praticamente todas as vozes originais, se você é daqueles que como eu, curte muito os trabalhos dos nossos queridos dubladores brazucas, assista ao making of da Dubrasil – Central de dublagem  que fez um trabalho super bacana para o filme.

Minha nota final é 5,5 de 10.

Se você ainda vai assistir, tente avaliar por si, afinal tudo não passa de opinião mesmo, depois nos conte o que achou. Só uma dica, fique até o final dos créditos que tem uma cena extra, que mais uma vez decepciona por não acrescentar em nada.

Se você ainda não viu, assista a divulgação do trailer dublado.

Site oficial do filme
Diamond Film Brasil

Abraço e obrigado por ler até aqui.