• Publicado em 11.08.2015
  • Por Diego Miyabi

Conheça o “Rei dos mangás”, Shotaro Ishinomori

UM MITO!

Ishinomori, cujo nome de nascimento é Shotaro Onodera, nasceu em 25 de Janeiro de 1938 em Miyagi, Japão. Passou sua adolescência nessa vila até mudar-se para Tokyo e morar no edifício Tokiwa-Seapartment. Este prédio era nada menos que o local do estúdio de Osamu Tezuka, localizado em Shiina Machi ali morava muitos jovens artistas de mangá, além de Shotaro, Fujiko Fujio, criador de DoraemonAkatsuka Fujio, um dos maiores escritores de histórias humorísticas e Mizuno Hideko, todos ali viriam a se tornar os pilares da expansão no mundo do Mangá nos anos 60.

Caneca Mocha com chaveiro de biscoito
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Na imagem Cyborg 009
Shotaro era um gênio que empregava técnicas novas como Cut-backs, Fade-outs, e inversão de preto-branco para destacar articulação das vinhetas e desenvolvimento da narrativa. Em termos de conteúdo ele produziu adaptações para Mangá de trabalhos muito influenciais e inteligentes de obras de escritores como Ray Bradburry, Jack Finney, Isaac Asimov e John Wyndham. Nos anos 60 sua maior obra foi Cyborg 009, mangá de enorme sucesso, e que rendeu 3 animes, sendo a mais recente de 2001.
Foi uma das obras mais longas feitas por Ishinomori, e devido a sua morte, a história não teve término. A partir dos anos 70, Ishinomori criou Skull Man, outra obra de grande sucesso e já na década de 80, trabalhou e estabeleceu a Manga Informativa. Não há duvidas de que foi um gênio a frente de seu tempo, como no exemplo, uma de suas mais importantes obras, “A Introdução à Economia Japonesa em Mangá”, que o tornou amplamente conhecido fora do Japão pela tradução Inglesa da mesma obra. E também foi responsável por dar origem à algumas confusões a cerca da natureza do Mangá Japonês!
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Na imagem Kikaider
No início da década de 70, Ishinomori lançou uma história adulta e muito polêmico. O título da obra era “Kamen Rider” (Motoqueiro Mascarado), que apresentava um jovem com a capacidade de se transformar num monstro-inseto como protagonista (o visual do personagem era monstruoso ao extremo, bem diferente do qual conhecemos), o qual lutava contra a organização criminosa Shocker. A comercialização dessa obra naquela época foi proibida, principalmente pelo fato de apresentar duras críticas ao Governo Japonês, o qual era representado pela organização Shocker. Porém, durante o ano de 1971, com inspiração no trabalho do mestre Shotaro, a Toei Company trazia às telas do cinema, àquele que se tornaria um dos mais conhecidos heróis de todos os tempos, intitulado devidamente como Kamen Rider. O nome continuou o mesmo, porém com algumas mudanças no roteiro, onde este herói, diferente dos que anteriormente apareceram, lutava em tamanho humano contra monstros também de tamanho humano; ele continuava à ter uma aparência muito mais próxima a um monstro mas bem menos “chocante” que no mangá.
tezuka-ishinomori-mainTEZUKA E ISHINOMORI, DUAS LENDAS!
Ele fez em sua primeira aparição, um sucesso tão grande que poderia ser comparado ao do gigantesco e inabalável primeiro Ultraman, o que “acarretou” a geração e criação de várias e várias séries Kamen Rider, sucessivamente, provocando aquilo que podemos chamar de “Henshin Boom” (heróis que se transformam), o que pode ser considerado, uma das grandes realizações e feitos do mestre Shotaro, dentre tantas outras. Vale lembrar que obviamente a versão para TV foi extremamente “suavizada” em relação ao original, e após o grande sucesso da série televisiva, o mestre Shotaro relançou o mangá, mas dessa vez seguindo o estilo da série de TV (tanto os visuais dos personagens quanto as tramas). Este “mestre” foi também um dos grandes responsáveis pelo crescimento da poderosa Toei Company, inspirando algumas das maiores séries da empresa, e ajudando este “gigante das séries de super-heróis” à se tornar uma das maiores produtoras de séries japonesas do estilo, e claro, uma das maiores produtoras do mundo. O já citado “Henshin Boom” gerou um número bem maior de séries semelhantes entre si do que o próprio Ultraman conseguiu, como podemos citar num exemplo rápido, Kikaider, Inazuman, Shiro Jishi Kamen, Lion Man (da P Production, criadora do Spectreman), que literalmente invadiram os canais de televisão do Japão, tanto que até a Tsuburaya, berço do Ultraman, decidiu arriscar-se nesse gênero, lançando Astekaizer (criado por Go Nagai) e Koseidon. Este dito “grupo de heróis que se transformavam para enfrentar monstros e criminosos”, acabaram por formar um novo gênero que ficou conhecido como “Henshin Hero” e que até os dias de hoje ainda tem integrantes acoplados à sua lista!! Uma parte interessante neste fato das criações de Ishinomori, é que o herói Kamen Rider, fez um sucesso tão grande, que mesmo sendo um “herói que se transforma”, acabou formando sua própria “família” dando origem à mais um gênero, que levou o nome do próprio herói e que vem sendo feito até os dias de hoje, como “Gênero Kamen Rider”
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No ano de 1975 uma nova série destacava-se das demais, também criado por Shotaro Ishinomori, é claro! Esta série mostrava cinco heróis semelhantes entre si, com incríveis  armamentos e poderes inimagináveis, lutando em equipe contra uma organização criminosa conhecida como Exército da Cruz Negra. Com o nome de Himitsu Sentai Goranger ou Esquadrão Secreto GoRanger, este estilo inaugurou uma nova classe dentre o universo de Super Heróis e assim surgiu, o gênero “Sentai” (Esquadrão). Com a inclusão da figura de um robô gigante na série Battle Fever J, já no ano de 1979, este gênero de Tokusatsu passou a chamar-se “Super Sentai” ou Super Esquadrões. Fato este que se consolidou mais ainda com a entrada da Bandai (empresa de brinquedos) na criação visual dos personagens à partir de 1980, o que acabou por determinar de vez, que este estilo tão bem aceito pelos telespectadores, teria como já vinha sendo feito, uma nova série à cada ano, sempre produzidos pela Toei, é claro e que até hoje se mantém firmes e fortes! Também surgiram nessa época séries um pouco diferentes e que deram origem a outros gêneros menores, como por exemplo, Onna Senshi (heroínas), representadas por Patrine e Rozetta entre outras, e as séries infantis, Robocon, Kabutack, todas obras do “mestre” Shotaro Ishinomori.
A parte triste foi no dia 28 de Janeiro de 1998, com exatos 60 anos de idade, falece o mestre. Sua morte foi atestada como ataque cardíaco.
Shotaro Ishinomori, um dos mais respeitados artistas japoneses, foi responsável pela criação de tantas obras e felizmente, este empenho que o mestre Shotaro teve para com seu trabalho, não será esquecido tão facilmente, pois está eternizado pelo mundo inteiro com trabalhos que para sempre levarão seu estilo único! É conhecido como o Rei dos mangás  e até hoje é considerado o único mangaka que foi capaz de fazer frente ao consagrado “Deus” do Mangá, Ozamu Tezuka.
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Datas Importantes:
– 1938 – Nascimento em 25 de Janeiro em Miyagi, uma vila no Japão .
– 1950 – Quando Ishinomori-San estava a estudar no liceu em Miyagi, ele e os seus amigos publicaram “Uma gota de tinta” e começaram a submeter os seus trabalhos para a “BD Juventude”, uma revista de BD..
– 1954 – Em Dezembro, o seu trabalho, “O Anjo de Segundo Grau”, que foi publicado na “BD Juventude”.
– 1956 – Depois de ter terminado o liceu, ele foi para Tokyo e começou as sua carreira.
– 1959 – Ele participou no planejamento do trabalho de Osamu Tezuka ‘s Work “Jornada ao Oeste”.
– 1966 – Ele foi premiado com o 7º “Premio para BD infantil” pela Kodansha do Japão.
– 1968 – Ele foi premiado com o 13º “O Prêmio Shogakukan “.
– 1972 – A BD Kamen Rider foi publicada a 01 de junho.
– 1980 – A celebração do completar de mais de 70.000 esboços originais.
– 1988 – O seu trabalho ” HOTEL” foi premiado como 33º colocado no “Prêmio Shogakukan ” . Seu trabalho “Introduction of the Japanese Economies ( Introdução à Economia Japonesa)” ganhou o 17º posicionamento no “Prêmio da Associação de Argumentista de Mangá”.
– 1988 – O sua obra “Kamen Rider Black” foi pela primeira vez publicada em 15 de Abril.
Algumas de suas obras mais famosas:
– 1964 – Cyborg 009 (mangá)
– 1970 – Skull Man (mangá)
– 1971 – Kamen Rider (mangá)
– 1972 – Jinzou Ningen Kikaider (mangá)
– 1973 – Robot Keiji (mangá)
– 1973 – Inazuman (mangá)
– 1974 – Ganbare Robocon (mangá)
– 1974 – Kamen Rider Amazon (mangá)
– 1975 – Himitsu Sentai Goranger (mangá)
– 1975 – Akumaizer 3 (mangá)
– 1978 – Uchuu Kara no Message (mangá)
– 1984 – Machineman (tokusatsu)
– 1985 – Bicrosser (tokusatsu)
– 1987 – Kamen Rider Black (mangá)
– 1990 – Poitrine (tokusatsu, conhecido no Brasil como Patrine)
– 1992 – Zelda no Densetsu (mangá, lançado pela revista Nintendo Power japonesa)
Eu, Diego Miyabi, particularmente vejo ele como um Stan Lee Japonês e foi influente tanto nos mangás e principalmente nos Tokusatsus, sendo considerado por muitos como o pai dos Tokusatsus. Essa foi uma singela homenagem a esse grande mestre.
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Um grande abraço ao amigo Lanthys, porque sem os conhecimentos Jurássicos dele, este artigo demoraria pra sair.
Pra fechar deixo esse video tributo e vocês verão que algumas destas obras passaram no Brasil