• Publicado em 07.09.2013
  • Por Iran Alves

Levanta daí, Capcom!

Softhouse parece estar afundando na lama ao cagar algumas de suas franquias clássicas.

capcom-logo

Para alegria de alguns e tristezas de outros volto com mais um excelente texto ( deixa eu me achar só um pouquinho dessa vez). E mais uma vez eu escrevo com aquele ar de saudade, daquele cheiro de coisas esquecidas a muito tempo no armário, da casa da vovó… He, he agora você entendeu bem, né?

Para quem viveu a febre gamistica dos anos 90 e se divertiu com os incríveis jogos que tínhamos disponíveis, uma imensidão dos mais variados gêneros para diferentes consoles, sim meu amigo, era uma ótima época para quem tinha um videogame, a não ser que você possuía um Philips CD-i, se for esse o seu caso, sua infância foi muito triste meu amigo.  Se você esta conseguindo reviver nem que sejam um pouquinho esses anos, também vai lembrar-se de algo muito importante: pelo menos metades destes incríveis jogos eram publicadas pela Capcom.Retro-Games-Capcom-Releases-All-in-One-Pack-of-Capcom-Arcade-Cabinet

Sim, amigo ela mesma. Arrisco-me a dizer, que a softhouse foi uma das mais importantes para a solidificação e perpetuação da atual da indústria dos games. Calma, antes que me xinguem ou qualquer outra coisa pior, vou explicar o meu ponto de vista, e vejam se não possui alguma verdade nela. Os arcades, a partir dos anos 80, foram o habitat de varias franquias da desenvolvedora, citando alguns: Final Fight, Dalkstalkers, Cadillac Dinossours, Captain Commando, Ghosts’n Globins, Street Fighter, Street Fighter versus “alguma coisa” e por ai vai. E se incluirmos os consoles domésticos nessa brincadeira, a importância da empresa cresce vertiginosamente. Franquias de games como Mega Man, Mega Man X, Breathe of Fire, Demo Crest, Strider, Ducktales, 1942, King of Dragon, The Magical Quest: Starring Mickey Mouse, Disney’s Talespin e etc.

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O que quero dizer com tudo isso? Que quando colocávamos o cartucho no console e apertávamos o botão de “power” e surgisse aquela trilha característica junto do logotipo da Capcom, neste momento tínhamos a certeza que o jogo seria bom. E assim chegamos ao ponto exato que desejava e quero perguntar: Você ainda tem essa sensação com os games da nova geração produzidos por ela? Pergunta um tanto polêmica, não é? É uma questão bem complicada na verdade, porém vou expressar minhas ideias com alguns exemplos.

JillAno de 1996, o mundo dos games ainda estava uma loucura com a entrada da Sony no mercado de games através de seu magnífico console Playstation. Os mais variados tipos de games nunca imaginados pelos gamers eram lançados e alguns deles com verdadeiras experiências em três dimensões, que era novidade até então. E foi no meio dessa leva que surgiu uma das franquias mais admiradas: Resident Evil (Bio Hazard).

Este game foi, para mim, um divisor de águas. Trazendo uma imersão fantástica e uma jogabilidade inovadora, fazia muitos gamers perderem noites de sono justamente por dois motivos: não conseguiam dormir por causa da sua temática assustadora ou simplesmente porque não conseguiam parar de jogar. E eu, obviamente, me encaixava no segundo motivo. E, de fato, o game continua muito bom até hoje, claro que relevando os gráficos 3D do game, que se compararmos as maravilhas gráficas de hoje obviamente a experiência e a diversão ficarão comprometidas. Tudo isso saiu da mente brilhante de Shinji Mikami, que dispensa comentários devido a sua importância na cultura gamer.

Agora daremos um salto gigantesco no tempo para o último lançamento da franquia, cronologicamente, Resident Evil 6 ou Bio Hazard 6. Este game, lançado 16 anos depois, surgiu como uma promessa da softhouse aos gamers como um retorno à jogabilidade tradicional da franquia que tinha deixado de ser uma mescla de “terror/puzzle” para “ação descerebrada”. Eu que tinha odiado o quinto título da série, fiquei esperançoso numa volta triunfal da franquia. Esse foi o meu erro.

Resident 6 conseguiu ser mais o título mais genérico da franquia em que pus as mãos, nada de puzzles, ação maluca, cartuchos de balas que surgem ao se matar zumbis mandando a lógica para casa do C… Porra Capcom, não trate nós fãs de Resident como idiotas, não transforme essa franquia em mais um game genérico de Call of Duty, não queremos matar zumbi só por matar. Para isso jogamos Left for Dead, que alias é muito bom e superior a Resident 6!

Falando nisso, o gênero Survival Horror esta passando por uma fase muito difícil de bons títulos onde Dead Space é uma joia brilhante dentro dessa lama toda. Ah, e Shinji Mikami esta retornando com seu novo projeto The Evil Within que esta prometendo muito. Esse vai ser o “assim que se faz Capcom” (Mikami saiu da Capcom por divergências artísticas e para montar seu próprio estúdio, a Tango Gameworks).Rock

Outro ponto aumentou minha desconfiança é como estão tratando a franquia Mega Man, após cancelamentos de títulos e outros lançados porcamente pela empresa e o descaso com seu aniversário de 20 anos, muitos fãs do ‘robozinho azul’ acreditam que a empresa esta enterrando a série como ‘indigente’. Até Keiji Inafune, o criador da franquia, ficou desgostoso com os rumos traçados pela empresa, que se desvinculou da corporação e iniciou um novo projeto pelo Kickstarter denominado Might nº9. Você pode saber mais por aqui.

E apenas lembro a todos vocês que Mega Man praticamente levou a Capcom nas costas por muitos e muitos anos. Seus títulos eram certeza de sucesso independente da plataforma em que era distribuído. Eu exijo mais respeito com o robozinho azul, meu herói virtual preferido!

E você leitor? Ainda confia na Capcom? Então pode abraçar o Blanka!

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Tome cuidado na sua próxima compra de game, vai que é da Capcom!

Um abraço a todos e deixe seu comentário.

CAPCOM    Shinji_Mikami    The Evil Within    Keiji_Inafune